quarta-feira, junho 06, 2007

natal - ano novo

Mais um Natal... Mais um “Ano Novo”...

E eu fico me perguntando: faz sentido? Faz sentido desejar dezenas de frases repletas de lugares-comuns, acompanhadas daquelas imagens que trazem à mente uma geladeira – em pleno “40 graus à sombra”?

Já tentei ser diferente (sendo igual a tantos outros), mandando mensagens politicamente corretas, daquelas que fazem a ceia-de-natal querer voltar... Já tentei provar que é tudo convenção, que, na verdade, se é para comemorar o salvador, Jesus nem nasceu em dezembro... Até já entrei naquela de mostrar cenas de traumatizar, tipo crianças da Etiópia etc. etc. Apelei também para a política internacional, para os atentados, para Bin Laden X Bush...

Mas, eis que mais um dezembro chega e eu estou às voltas com o “santo-consumismo-ocasionado-pelo-décimo-terceiro-salário”; com o que dizer para os meus amigos, para os mais “chegados”, neste fim-de-ano – com o que dizer ou mesmo se devo calar. Afinal, é chato ser o estraga-prazeres, chegando sempre para lembrar da fome do mundo, da devastação da Amazônia, coisa e tal.

Portanto, este ano, decidi não nadar contra a maré. Não vou lembrar a vocês que não há quase nada para comemorar; que o analfabetismo está aí (dessa vez somado ao digital), que não basta mais ao pobre ter uma geladeira e uma TV em casa (nós outros já criamos outras necessidades bem mais “necessárias”) para se sentir mais “gente”; que o Brasil enfrenta uma guerra civil em todo o seu território, seja pela mão da violência, seja pela mão da política, seja pela mão do nosso pouco-caso...

Eu prometo que não vou lembrar a vocês que milhões de crianças estão catando os nossos lixos – o meu, o seu e o do Bush também, por que não? Também não vou falar que a lei do desarmamento não vai pegar, que o ECA é desrespeitado e até ridicularizado pela grande maioria da população, que o Estatuto do Idoso é mais uma lei a ser esquecida... Muito menos falarei do desmatamento, da extinção de espécies... Eu juro que não falarei nada disso. Dessa vez, não.

Muito menos falarei do preconceito-nosso-de-cada-dia; da intolerância ao diferente; do não-perceber o outro – e também do perceber e ao faze-lo, ridicularizar esse outro. Não, nada disso. Eu não vou lembrar a vocês que, cada vez mais, estamos nos cercando – de cuidados, de cercas, de grades, de “deletes”...

Pois é. Basta apertar a tecla “delete”, e esqueceremos todas as mazelas – porque é Natal. Porque já já, milhões de fogos anunciarão, mundo-a-fora, o ano de 2005. E eu, dessa vez, também farei a contagem regressiva... É aquela velha história: “se você não pode com o inimigo, junte-se a ele”.
Então, um Feliz Natal para todos e um Próspero Ano Novo para nós todos.
É o que desejo.

Fabiana Agra

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