Aqui estou, então. Menos de 15 horas depois de me despedir na porta do elevador, e o coração já não bate com a alegria desses últimos dias! A vontade de estar contigo é mais forte do que o grito da novidade de ter encontrado alguém em sintonia comigo. E quando E. Bishop diz:
“O tumulto no coração
pergunta e pergunta. E depois pára e tenta responder
no mesmo tom de voz.
Não dá para distinguir a diferença”,
isso quase explica o que sinto. E fico buscando em outros, algumas poesias dignas de ti, pois as que fiz nessas últimas horas, transbordam de um sentimentalismo inconveniente. Quem sabe amanhã, ao acordar, a razão volte! F. Holderlin aconselhava que: “se tens razão e coração, mostra somente um deles, por ambos te condenariam se os mostrasses juntos”. De repente, já não sei o que é racional, se subentender ou soltar o que sinto...
Oblitero a ânsia, atenuo o desejo. Mas não consigo apagar você da minha mente, por não querer jamais, proceder dessa forma. Sem perscrutar o que me reserva o destino, quero que estejas, a partir de hoje – e isso é imperativo –, presente em todos os meus momentos de loucura produtiva e de lucidez viajante. Serás, para todo o sempre, um dos muitos guias da viagem, em que o único itinerário será o lugar onde chegaremos a cada dia da eterna viagem chamada vida.
- 3:15 horas. Acordo com a sensação da tua presença. Sinto o cheiro do teu corpo próximo ao meu. Abro os olhos, estou só, na aridez desse quarto, onde o calor da madrugada potencializa a vontade de amar sem barreiras e sem relógio. E nesse exílio voluntário, penso no que ouvi ontem: de repente, a vontade de sair se torna o essencial daqui por diante; não porque seja necessário estar aí para poder ser – isso nunca foi prerrogativa em minha vida -, mas a certeza de estar próximo e de viver nossos momentos em toda a sua plenitude, me faz querer tomar as rédeas de um outro destino. Fico pensando no que estás fazendo neste exato momento – se em alguma festa, se dormindo... Bem, isso não tem muita importância. Apenas o receio de não te ver sexta-feira é que chegou por aqui; já são quase 4 da manhã, vou tentar dormir mais um pouco...
11 horas da manhã. Já resolvi todos os assuntos pendentes, é hora de me dedicar ao meu mais novo deleite: lembrar de você. Ah, e como fluem todos os sentires! Leio por incontáveis vezes aquele teu poema:
“Era noite,
Beijei teu desejo,
Bebi tua sede,
Bebi tua paixão
Beijei teus olhos,
Beijei tua boca,
Beijei tuas curvas,
Beijei teu sexo,
Amanheceu,
Era dia,
Beijei a brisa,
Adormeci...”,
e ele parece falar de tudo o que passamos. Lembro de algo que escrevi:
Olho
Olhos são para devorar
Feitos para provocar
Boca
Lábios são para desacatar
Feitos para desnortear
Pele
Pêlos são para eletrizar
Feitos para debelar
E eu devoro, provoco, desacato, desnorteio
Mas, eletrizo o desejo
E debelo o segredo
Hora após hora, minuto após minuto, lembro de você. Nada obsessivo, porém. Sabe aquela lembrança gostosa, urgente? Pois ela está comigo e isso é muito bom! Não espero respostas, pois, como já dizia a RôRô, “Amar é sofrer, eu vou te dizer, mas vou duvidar, querendo ou não, o meu coração já quer se entregar... Não falta lembrança, aviso, cobrança, você vai por mim, mas feito criança, lá vou na esperança, eu sou mesmo assim...” É por aí, “te sinto no ar, na brisa do mar, eu quero te ver, pois ontem à noite, sonhando acordada dormi com você...” E me embriago dessa doce presença/ausência, mas coloco Manu Chao para sacudir esse mormaço, e escuto ele cantar: “solo voy com mi pena, sola va mi condena, correr es mi destino para burlar la ley, perdido en el corazon de la grande Babylon, me dicen el clandestino por no llevar papel”.
Múltiplas overdoses de sons e cores desnorteiam o caleidoscópio do meu sentir. Uma profusão de poemas por escrever vem à mente e é melhor não deixar que o pensar escape por entre os meneios dessa paixão!
Até a próxima.
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