quarta-feira, junho 06, 2007

Arquivo 3

Neste exato instante - 18:23 minutos, coloco Enya no som, ela tem o poder de me acalmar – amorteço o desejo, a vontade de estar com você e viajo na música.

Não tenho muito para falar sobre o que se passa comigo. Não é pela novidade, sempre pequei em seu nome; não é pela conversa, sempre ouvi muitas palavras; não é pelo corpo, muitos já passaram por aqui. teteteteNão. Dessa vez é diferente! Algo mais passeia pelos ares dessa acontecência! Sinto umtetetet cheiro diferente no ar, cheiro de estranho, talvez “do-que-estar-por-vir”... Uau! Anywhere is (estou viajando no som)me lembra de alguém que está por esses sertões sem-fim, Deus sabe como e com quem... Normal, me dizem os boçais.

Acendo um cigarro, teclo letras erradas, conserto agora – ou será concerto (o concerto das palavras, pois sim!)? Vou até a janela, o céu já está escuro e – demais – a lua acabou de nascer!, amarela, enorme, clareando os meus anseios e à cidade. Sabe aquela lua enorme, que só no mato a gente vê? Pois é. Assim ela me aparece, fazer o quê? E ainda me pedem para deixar isso aqui, que isso é muito pequeno... Mas a lua é enorme, como a encontrarei em um outro lugar, me diz!

Vejo apenas uma estrela... Também, com esse clarão, impossível ver muita coisa. Mas a estrela que quero ver está a quilômetros de distância do meu olhar, apenas sinto a sua presença nessa ausência de mim. 18:42 minutos. Ainda falta muito para, quem sabe, ouvir a sua voz. E se você esquecer de ligar? Bom, terei que me contentar com outra espera, quem sabe amanhã? Ou melhor, quem sabe amanhã te esquecerei?!? Demais, agora Enya canta Shepherd moons, talvez pastor de luas...

Coloco Pink Floyd. Algo que eles cantam me faz lembrar da gente:
They flutter behind you yourk possible pasts
Some brighteyed and crazy some frightened and lost
A warning to anyone still in command
Of their possible future to take care
In derelict sidings the poppies entwine
With casttle trucks lying in wait for the next time
Do you remember me? How we used to be?
Do you think we should be closer?

19:25 horas. O desejo aflora, dá um curto no pensar. E fico pensando na vida, em nossas possíveis futuras vidas, por quê não? Melhor não. Melhor pensar no agora e, agora, estou só, esperando alguém que não virá:

o calor das horas
dissolve o desejo em gotas de suor
que brotam ante a tua presença
e potencializa o querer
contido por uma reticente dúvida

o sabor do desconhecido
lambuza a boca, vivifica a libido
e se estranham, e se completam
os corpos e mentes torpes pela dança
que lutam pelo clímax do prazer

o olhar que oblitera
não dá respostas e cala a boca
com a vontade do primeiro beijo
a proximidade aparente dá o desfecho
quem sabe, um dia – quem sabe, hoje?!?

Fiz mais essa, pensando em você. É hora de parar e esperar. Esperar você ligar, esperar o coração desapaixonar, esperar esquecer... Talvez nada disso tenha sentido. Quem sabe, esperar você chegar, te amar, e esquecermos do resto?!?

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