Senti
O gosto amargo de não ser nada.
Como um samba sem ritmo
Como um palhaço sem graça,
Um vôo sem asas.
Queimei
A febre de quem delira.
Como um lunático febril
Como quem comete um ato vil,
Um gesto de quem ama.
Gritei
Uma dor que não tem cura.
Como um amor que findou
Como um dia que morreu,
Um céu que desbotou.
Chorei
Um choro de mansinho.
Como quem deixa de gostar
Como quem parte sem avisar,
Um sofrer devagarzinho.
Morri
Como morre o sol.
Como a rosa que se despede
Como a lua que se apagou,
Um choro de quem abortou.
E fico aqui
Me olhando sem dizer nada.
Como um poeta calado
Como um ser em agonia,
Um pálido sol de fim do dia.
24/04/1988
quarta-feira, junho 06, 2007
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