quarta-feira, junho 06, 2007

Arquivo 4

Tanta coisa já se passou desde a última vez em que escrevi pensando em você!... Desencontros e despedidas, incertezas e desafetos, um sem-fim de impossibilidades que fazem ver a real dimensão de um relacionamento fadado a um não-ser. Até aí, tudo bem - coisas da cabeça que não pensa com o coração, diriam os céticos... Mas a tua lembrança preenche uma possível explicação; além do mais, a impossibilidade de dramatizar faz com que eu aja com a perversidade dos conquistadores. E faço a pergunta: o que seria da arte sem o drama? Mas, como é preferível dessa forma, agirei como se fosse proscrito o meu sentimento por você. Apenas percebo que o meu sentimento por você é atemporal e sobreviverá a quaisquer desculpas da modernidade; mas, sempre vem à mente as suas palavras recriminadoras, de que estou fazendo drama ou romantizando a relação; fica difícil falar de outra forma – tentarei beber da fonte dos insensíveis ou dos fingidores, dos quais você parece cria e me redimirei dos erros – e dos acertos!

Ainda há pouco, você ligou para mim. Que mais eu poderia dizer, além da imensa alegria que foi ouvir a sua voz, depois de inúmeras e infrutíferas tentativas? Não sei agir de outra forma... Percebi o convite velado de te reencontrar; na dúvida, fico com a disposição de arriscar em não ir, para testar até que ponto subsiste o seu desejo e a sua vontade de estar. Dessa forma, é preferível que eu não vá. Quem sabe, só assim, você possa perceber alguma coisa – ou não! E, como gosto de correr riscos, estarei correndo mais este, o de perder a sua referência por completo. Ainda assim, penso valer a pena o desafio que impus a essa relação. Poderei conhecer melhor o terreno no qual estou caminhando, sem afundar num sentimento movediço.

Ah, você nem imagina como as suas palavras têm o poder de castrar os meus sentires! Fico medindo o que digo e faço, apenas para não parecer mais piegas do que já sou. E me perco num torvelinho de emoções e devaneios, mas restauro a razão e tento escrever com a tinta do bom senso. Portanto, sem mais digressões, considero que já posso fazer um apanhado do que você representa em minha vida.

Você. Talvez não represente nada, desde que eu assim determine; talvez o que escrevi seja uma fuga, e você signifique bem mais do que meras palavras - não sei. Quem sabe, eu esteja escrevendo para ninguém, coisas sem substâncias... Mas é o que estou sentindo, droga! Será que preciso esconder que quero você, que desejo você?!? Somos pessoas bem resolvidas nesse ponto, espero. Não obstante, o jogo é escondido, é mascarado, e sobrevive em algumas poucas fugas de si. E como bem diz Santana, Pain never makes me cry, but happiness does/It’s strange to watch your life walk by/Washing it was.


Aguardo pacientemente que a mim venhas.

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