quarta-feira, junho 06, 2007

Arquivo 1

...A sensação é estranha, um misto de satisfação e tristeza, de esperança e dúvida. Ah, como seria bom estar contigo hoje, amanhã, e por muitos e muitos dias!!! Mas, o tempo profana o sentir, permitindo que os bons momentos sejam eternizados apenas em nossas lembranças. É isso que também faço agora; transfiro da mente para o papel o que as palavras conseguem decodificar sobre todas as horas, minutos e segundos do nosso conhecer. Já que a presença física não está sendo possível, escrever se torna a única fórmula capaz de encurtar a distância que nos separa; escrevendo eu te vejo, te vendo eu te toco, te tocando eu te tenho.

Hora após hora, minuto após minuto, lembro de você. Nada obsessivo, porém. Sabe aquela lembrança gostosa, urgente? Pois ela está comigo e isso é muito bom! Não espero respostas, pois, como já dizia a RôRô, “Amar é sofrer, eu vou te dizer, mas vou duvidar, querendo ou não, o meu coração já quer se entregar... Não falta lembrança, aviso, cobrança, você vai por mim, mas feito criança, lá vou na esperança, eu sou mesmo assim...” É por aí, “te sinto no ar, na brisa do mar, eu quero te ver, pois ontem à noite, sonhando acordada dormi com você...” E me embriago dessa doce presença/ausência, mas coloco Manu Chao para sacudir esse mormaço, e escuto ele cantar: “solo voy com mi pena, sola va mi condena, correr es mi destino para burlar la ley, perdido en el corazon de la grande Babylon, me dicen el clandestino por no llevar papel”.

E tanta coisa já se passou desde a última vez em que escrevi pensando em você!... Desencontros e despedidas, incertezas e um sem-fim de impossibilidades que fazem ver a real dimensão de um relacionamento fadado a um não-ser. Até aí, tudo bem - coisas da cabeça que não pensa com o coração, diriam os céticos... Mas a tua lembrança preenche uma possível explicação; além do mais, a impossibilidade de dramatizar faz com que eu aja com a perversidade dos conquistadores. Mas, como é preferível dessa forma, agirei como se fosse proscrito o meu sentimento. Apenas percebo que o meu sentimento por você é atemporal e sobreviverá a quaisquer desculpas!

Você. Talvez não represente nada, desde que eu assim determine; talvez o que escrevo seja uma fuga, e você signifique bem mais do que meras palavras - não sei. Quem sabe, eu esteja escrevendo para ninguém, coisas sem substâncias... Mas é o que estou sentindo, droga! Será que preciso esconder que quero você, que desejo você?!? Somos pessoas bem resolvidas nesse ponto, espero. Não obstante, o jogo é escondido, é mascarado, e sobrevive em algumas poucas fugas de si. E como bem diz Santana, Pain never makes me cry, but happiness does/It’s strange to watch your life walk by/Washing it was.

Múltiplas overdoses de sons e cores desnorteiam o caleidoscópio do meu sentir. Uma profusão de poemas por escrever vem à mente e é melhor não deixar que o pensar escape por entre os meneios dessa paixão! Não obstante, tenho que lembrar – sem direito a um lápso sequer da memória – que tudo depende de você e das suas decisões...

Aguardo pacientemente que a mim venhas.

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