O homem – bruto homem – é o único dos animais que mata por prazer
O homem – irracional animal é o único dos animais que não se reconhece como tal
Já que nomeou e dominou todos os demais...
E, ainda assim, este mesmo homem é capaz de matar outro homem e esquarteja-lo
Friamente, calmamente, escolhendo o melhor corte, o destrinchar dos membros
Outros semelhantes, ao saberem do fato, desconhecem o racional
E se excluem da sociedade, e se igualam àquele homem, àquele bicho...
E armam o palco da tragédia, acendem a fogueira
E a turba prossegue, escondida entre a fumaça negra dos pneumáticos
E surgem pedras e paus e pedras e risos e crianças e velhos e rapazes e moças
... E eu que também estava lá, curiosidade mórbida de ver para crer
Vendo aquele homem ficar acuado, receber pedradas, responder com pedradas
E o homem é queimado e se queima jogando de volta o fogo
E ele morre lentamente – de pavor – e as pedras fazem o resto do trabalho
E os braços fortes que erguem as pedras as jogam na cabeça do homem
O fato está consumado – o corpo já apedrejado é queimado, arrastado
E o povo em frenesi, o erguem nos braços, qual um Judas em sábado-de-aleluia
E a malhação continua, com facas, chutes, escarros
E aquela massa disforme que já foi um homem que virou bicho
Foi chutado pelos bichos que se dizem homens...
Fabiana Agra
quarta-feira, junho 06, 2007
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