quarta-feira, junho 06, 2007

Caminheiro grande - ou quase patinho feio

À Luis Caon


...O pássaro foi encontrado por estas bandas
meio atordoado, um tanto perdido, talvez sentindo falta do frio
Era diferente mesmo, aquele pássaro!
E talvez por causas das diferentes plumagens, fora rejeitado do ninho
Vivendo errante, parece que adaptou-se à vegetação inóspita,
Ao clima quente e às outras espécies tão estranhas para ele.
Mas o pássaro queria mostrar o seu canto aos outros daqui
E queria ensinar trinados estranhos que seus hospedeiros não acompanhavam
- Aquele pássaro sabia expressar-se em vários sons
só não entendia porque de tanto estranhamento
ora, era apenas um pássaro diferente, vindo de longe
e que apesar de tudo, não queria fugir das suas raízes...

Aquele pássaro, por mais forte que parecesse, sentia falta dos seus
Sentia falta do frio das montanhas, dos campos floridos
Talvez quisesse a companhia dos que não lhes eram mais
Por não serem seus iguais – não sei.
Apenas sei que ele não agüentava mais essas pairagens
Começou a definhar, a definhar, e, da última vez que cantou
Na serra da Borborema, quem o viu notou que estava diferente:
Canto triste, uma plumagem esgarçada,
em nada lembrava o pássaro altaneiro que antes chegava.
E com um canto desesperado, foi-se pra nunca mais voltar
Voltou pras suas terras, buscando refúgio e sossego
Mas ele continuou sendo incompreendido, ninguém queria ouvir seu canto.

E, como acontece aos pássaros, hoje ele não cantou, não bateu asas
Apenas cambaleou pelo caminho, olhou pro infinito e fechou para sempre os olhos.



Fabiana Agra
09/11/2006

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