quinta-feira, maio 31, 2007

olhar


Na retina dos meus olhos

Retenho seu último olhar

De olhos etéreos e infindos

Da cor doce do mar


Onde vi o meu sonho

Tomar um barco a vagar

E de brusco ser tragado

Pro fundo do seu olhar


Que ainda detenho

Mas que está fugindo aos poucos

E sei que não mais terei

Esses olhos de gozo


De brilho morno da lua

Que espalha seu calor

Nos becos sujos da rua

Onde olhares sombrios


São o que agora detenho

Já que não mais tenho

Os seus na retina dos meus olhos

Que hoje são poças d’água


E nada mais tenho a reter

Já que, desesperadamente deixei fugir

O que de único restou de você:

Seu olhar.


21/12/1985

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