quarta-feira, maio 30, 2007

EU


Era uma vez, no meio da vida,
Uma gralha perdida.
Querendo ser o que sonhava
E quase morta de cansaço
De procurar o que não via,
Caiu no vazio e sonhou
Ser uma gaivota bêbada
De horizontes infindos.
Embriagou-se com paisagens
Verdes, campos lindos
E teve uma vertigem
Mergulhou no escuro,
E não voltou
Desse último vôo.
Continuou a buscar
E num suspiro arrojado,
Quis ter o vôo das águias
Acreditou que galgava os céus,
Sobrevoou os sete mares,
Desvendou o segredo das alturas
Voou até a mais alta montanha
E no cume altivo, sereno,
Julgou ser superior.
Mas, coitada...!
Descobriu que era só
Mais uma gralha a menos.
Tarde demais:
Tomou um porre de alísios,
E morreu no mar.

24/07/1987

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