
- Sou realista e peço o impossível
Improváveis acontecimentos, hipotéticos momentos
Que não mais me repreendam
Que não mais enfeitem de amarras
A minha frugal liberdade
Que continua a pedir passagem
Em frente ao muro das possibilidades
Que acabam de vez com os analistas do meu não-ser
Que calem os discursos que calam e castram a voz livre
Tiram-me o prazo do gozo profundo
Entalando na garganta o grito prazeroso.
- Sou realista e sairei panfletando
E pichando os muros imorais, podres de mofo e de limbo
E decapitarei os cabeças sãs e os tantos opressores, repressores
Professores de criancinhas indefesas e preparadas para o não-sentir.
Destruirei cercas, interfones, ante-salas
E os halls do quase-segredo, do degredo
Do desagrado que me faz suportar o soutien
Dos que me preparam feito comida para o bicho-papão....
Ideologias, apologias, id’s, aids, mundo sem saída
Beco sem saída nessa pouca poesia
Mesclam o que resta de mim.
01/08/1990

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