quinta-feira, maio 31, 2007

NOITE

Noite fria, sombria.
Nos bares
Só gente triste, esquecida.
Nos becos
Mistérios escondidos, barulho de gato.
Nos guetos
Corpos vendidos, perfume barato.
Nos quartos
Suspiram amantes, corpos colados.
Na praça
Beijos ardentes, abraços cálidos.
Na escuridão
Criaturas aladas valam o sono da virgem.
Nas sarjetas

Corpos deitados descansam com fome.
Na rua
A última nota de um violão paira no ar
Saudando sua musa
A fria e esquecida noite.

08/08/1985

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