quarta-feira, maio 30, 2007

A POESIA PERFEITA


Queria fazer uma poesia

Não identificada, não decifrada

Em códigos, em hieróglifos, em gritos

E nela absorver

A lua, o sol, o céu

O vôo do pássaro, a cor do mar...

Ser tudo, infinito, absoluto

Ter tudo, enfim

Ser um sem-fim de coisas...

Mas o grito é identificado

E facilmente de mim, eu me desfaço

Sou o imperfeito, o acaso

Quero coisas que jamais

A mim virão:

A cor, o som, a perfeição.

Coisas todas sem sentido

Ser um fim, ou o início

Mas tudo enfim,

Termina por ter fim.


04/01/1989

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