domingo, setembro 30, 2007

Antes da noite chegar

Há um tempo atrás escrevi aqui que tinha saudades do moleque fodão que eu era. E foi sincero. Mas de uns tempos pra cá tô sentindo orgulho do homem que sou. Acho que foi depois que li o belo auto-retrato do Pinduca (troço bonito pra caralho – leiam lá no blog dele, no post do dia 02 de Julho). Posso até ser um babaca pra muita gente, mas eu sinto orgulho de mim e é isso que basta. Voltei a andar de cabeça erguida e escolher a música que vai na minha trilha sonora. E sofro as conseqüências por isso. E quer saber? Acho que o homem tem direito a tristeza, mas sinto um profundo desprezo por homem desesperado e bunda mole. Acho que as pessoas têm direito a farejar a sorte, mas ninguém deve implorar por ela. Sou um cara desgraçadamente tenaz. Sempre fui. Mas teve vezes que vacilei. Então agora reavalio depois de oito doses de whisky e percebo apesar do vento frio e da sensação total de abandono o náufrago resgatado que sou. Moro sozinho numa kitchenete e durmo numa rede. Na maior parte do tempo, sou um cara triste pra caralho, mas não vou ficar me lamentando e nem tomar antidepressivos por isso. Escrevo como um psicopata e bebo como um camelo que fugiu do inferno, mas é assim que me posiciono diante da vida. Não espero muito mais dela, mas ando por aí ouvindo “Like a Rolling Stone” na versão Hendrix. Tenho uma filha linda que eu adoro (embora não demonstre muito) e que vejo muito pouco, mas ela é minha filha. Sei que não sou um pai exemplar, mas acho que ela gosta de mim, mesmo assim. Ela já sacou até onde posso ir. Queria que outras pessoas que amo também percebessem isso, mas já desisti de querer demais. Tenho alguns amigos bacanas e alguns inimigos fiéis, e o que o mais um homem pode querer? Contemplo demoradamente as lombadas dos livros, escolho o inimigo e até hesito na hora de sacar. Não quero verdadeiramente machucar ninguém. Tem momentos que eu quero mais é que se foda, mas eu continuo aqui num canto seguro do balcão. Ando fugindo de encrenca e deixo os malas vibrarem ao matarem as duas primeiras bolas de saída. O jogo não acabou e eles não fazem idéia do que vai acontecer com eles. Continuo não evoluindo espiritualmente, simplesmente porque acho isso uma puta babaquice. Os demônios estão arranhando a minha porta e eu resmungo o meu arremedo de “não me enche o saco”. Ninguém pode fazer mais nada por mim, mas quem disse que eu tô pedindo ajuda?
E só pra terminar, por uma simples questão de gosto pessoal
Prefiro Bukowski a Grotowski
E Xico Sá a Chico Sciense.
Não sou o cara mais simpático do mundo, mas desejo a todos uma boa noite. Ela tá chegando.


Escrito por Mário Bortolotto

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